sábado, 19 de agosto de 2017

A IGREJA CHUCHU



                                                A IGREJA CHUCHU


O chuchu faz com que os pratos rendam, porque assimila o gosto daquilo com que foi misturado. Assim, o chuchu aumenta a quantidade da comida. Há muitas igrejas chuchu. Assimilou o sabor da cultura decaída. Como o chuchu, tomou o gosto do mundo. Perdeu o sabor próprio do Evangelho. Por isso, estão superlotadas de incrédulos sendo tratados como crentes.

A igreja chuchu tem sido um problema sério para o Reino de Deus. Sua ausência de autoridade espiritual desacredita o Evangelho. Ninguém a leva a sério. Nem ela mesma. Nem o seu pastor. A igreja chuchu está afogada na instabilidade emocional. Perdeu sua sensaboria espiritual. Sabe que não é autêntica. Usa um disfarce de santidade e fervor. Por ter perdido sua identidade, seu rebanho vive espiritualmente derrotado. Jesus declarou: “Vós sois o sal da terra”. Não disse: “Vós sois o chuchu da terra”.

Muitas igrejas tornaram-se chuchu porque seus pastores partiram do pressuposto, equivocado, de que igreja é uma instituição sociológica. A igreja tem caráter sobrenatural porque sua origem é divina. Não é uma ONG. Não é um clube nem é uma casa de show. A igreja vista como uma instituição sociológica é uma catástrofe, pois forçosamente deixará de ver as pessoas como pecadoras. O pecado passa a ser doença, desajuste, outra coisa qualquer, exceto pecado.

Devido a sua fraqueza espiritual a igreja chuchu colocou o foco do culto no homem. Não se ouve falar da salvação pela graça por meio da fé. Não se ouve falar sobre o juízo final, sobre santidade, sobre a volta do Senhor. O negócio é triunfar sobre os infortúnios da vida. Glorificar a Deus passou a ser esgoelar-se no culto. “Glorifica mais alto, irmão!”, “Coloque a mão no seu coração e exploda”. É o pedido do animador do culto.  

Na igreja chuchu glorificar a Deus é espancar a bateria e cantar música com letra erótica do tipo: “O céu se une a terra como um beijo apaixonado”. A exaltação ao Senhor é trocada pelo louvor do ego: “Remove a minha pedra, me chama pelo nome, muda a minha história, ressuscita os meus sonhos, transforma a minha vida, me faz um milagre, me toca nessa hora, me chama para fora, ressuscita-me”. É muito “me”, “me”, “me”, “minha”, “minha”, “meu”.

Se pudéssemos pesar numa balança o conteúdo teológico dos corinhos que cantamos não dá o peso de uma agulha: “Mergulhar em teus rios”, “Voar nas asas do espírito”. O povo quer tomar banho e voar. Quanta mistificação da fé! A fé é transformada em aspirações esotéricas irrealizáveis. A intimidade com Deus se torna semelhante a alucinações místicas.

Na igreja chuchu, aculturada sociologicamente, a liturgia é agitada e o sermão também. O pregador, entre uma frase e outra, fala em línguas estranhas para dar um sabor de espiritualidade à plateia. Pula, grita e se remexe continuamente para levar o povo à catarse. Os sentidos sobrepujam a razão. Nesse contexto, o culto mexe com os pés e os braços. Não mexe o coração.

Os pastores das igrejas chuchus esqueceram que há no Novo Testamento muitos mandamentos exortando o uso da razão. Paulo fala do culto racional. Portanto, a igreja não é um ajuntamento social onde se estimula o emocionalismo. A sua saúde e o seu vigor dependem de sua fixação sobre o Cristo crucificado e ressuscitado.

Tenho dito,
Irmão Marcos Pinheiro

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

NÃO MEXA COMIDO! SOU UNGIDO



                                     NÃO MEXA COMIDO! SOU UNGIDO


Na época de Miquéias, a liderança religiosa era gananciosa e bradava cinicamente: “Não está o Senhor no meio de nós?” (Mq 3:11). Miquéias, então, denunciava o pecado da avareza. A liderança manda Miquéias calar a boca por trazer-lhe uma mensagem de condenação e castigo (Mq 2:6). Hoje, não é diferente. A falsa liderança “evangélica” é ágil em se proteger debaixo da couraça “Não toqueis nos meus ungidos” para ameaçar aqueles que questionam suas doutrinas antibíblicas.

Esquece a falsa liderança que “Não toqueis nos meus ungidos e aos meus profetas não façais mal” (I Cr 16:22) não significa “Ai de quem mexer comigo” até porque o sentido de “Não toqueis” é exclusivamente quanto à inflição de dano físico e refere-se a Abrão, Isaque e Jacó. Portanto, nenhum pregador do Evangelho é isento de questionamentos. Todos nós precisamos passar pelo teste bíblico da doutrina. Nenhum pregador é imune a juízo de valor.

A liderança falsa arranca a pele de suas ovelhas, esmiúçam os ossos e quer que fiquemos calados. Contam estórias estapafúrdias e tenebrosas no púlpito com tonalidade ameaçadora para criar credibilidade da plateia. O pior, é que o povo gosta desses “profetas”. E, ai daquele que não alimentar a sua cobiça vaidosa. Declaram guerra: “Mas contra aquele que nada lhes metem na boca preparam guerra” (Mq 3:5).

O ministério de Jesus foi uma cruzada contra aqueles que abusavam espiritualmente de outras pessoas. Paulo combateu os falsos ensinos. A igreja primitiva não mediu esforços em combater as falsas doutrinas. Os puritanos não pouparam denuncia ao falso Evangelho. Charles Spurgeon disse: “O mais maligno servo de Satanás que conheço é o ministro infiel do Evangelho”.

Miquéias foi duro contra os falsos profetas. Ele não cortejou sua mensagem buscando simpatia e favores. Miquéias não arreda o pé do que sabia ser certo e denuncia veementemente o pecado e a condenação: “Por causa de vós, Sião será lavrada como um campo, e se tornará em montões” (Mq 3:12).

Por outro lado, Miquéias traz uma mensagem cheia de esperança para todos nós. Ele profetiza sobre um povo remanescente que não está centrado na ambição: “Certamente te ajuntarei ó Jacó... subirá diante deles o arroteador, o que abre o caminho; eles romperão...”. (Mq 2:12,13). Miquéias viu um povo de coração batendo junto. Viu pessoas tão dirigidas pelo Espírito que seriam excluídas pela igreja ambiciosa. Viu um remanescente excluído pela igreja abominável.

O remanescente excluído que Miquéias fala não são os pastores “popstars” aplaudidos pelos bodes bravos. Mas, são aqueles que levantam a voz contra a corrupção na casa do Senhor. São aqueles que têm sua mente direcionada aos céus. São aqueles que estão esgotados de tanta superficialidade. O remanescente excluído se elevará fora do arraial, chorará por causa das abominações da igreja cobiçosa e romperá, e proclamará o verdadeiro Evangelho. Desse remanescente sairá a verdadeira Palavra!

Ir. Marcos Pinheiro

sábado, 5 de agosto de 2017

PERIGO! VENENO NO MEIO EVANGÉLICO



                                 PERIGO! VENENO NO MEIO EVANGÉLICO

O veneno mais perigoso não é aquele que está empacotado em uma caixa com o aviso de perigo. Mas, aquele que vem maquiado de alimento saboroso. Muitos pastores estão envernizando seus venenos doutrinários para ludibriar os incautos. Conseguem ganhar os ouvidos e enganar o coração das pessoas com palavras que soam espiritualidade.

Para muitos pastores o mega-patrimônio é a coisa mais valiosa desta vida. O pior é que eles incentivam a membresia através de suaves lisonjas a não viverem na perspectiva do eterno. Adulteram o sentido sublime do jejum e da oração dando-lhes sabor de barganha para a construção de seus palácios eclesiásticos.

Esses homens têm o ministério como uma oportunidade para a fama e construção de império econômico. Tratam a salvação como se fosse uma vacina contra o mosquito da dengue. Por isso, é de suma importância analisar com muita integridade bíblica o conteúdo das pregações e ensinos desses homens observando se estão de acordo com as Santas Escrituras.

É verdade que nas pregações desses pastores muitos veem à frente “aceitando Jesus”, mas esse fato não significa que a mensagem foi uma palavra genuinamente bíblica. "Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade".

O valor de um pastor é medido por sua capacidade de suprir o rebanho dando-lhe alimento santo e não as sopinhas do Egito: cebolas, pepinos e alhos. Lamentavelmente, muitos líderes perderam as responsabilidades sacerdotais. Tornaram-se administradores de negócios eclesiásticos.

O culto virou um produto a ser vendido. Abre-se espaço para a venda de quinquilharias. Pasmem! Até anuncio de venda de terreno acontece. Quanto mais farfalhudo for o título do culto, mais sucesso na frequência: Culto dos Desempregados, Culto da Vitória, Culto dos Empresários, Culto das Mulheres e Homens de Negócios, Culto da Gratidão, Culto dos 300 Filhos da Luz, Culto das Causas Impossíveis, Culto dos Mais Que Vencedores. A igreja está sendo dirigida nos moldes de um empreendimento secular. Isso é recrucificar o Senhor Jesus.

Os pastores venenosos vivem em busca de aplausos. Vivem de glamour. Vivem vida 5 estrelas. Deveriam olhar para a vida de Jesus. Jesus nasceu numa estrebaria de 3ª categoria. Foi posto no lugar onde bichos fedorentos se alimentavam. O ambiente onde ficou era cercado por moscas e muito cheiro de esterco. Seu palácio foi uma carpintaria. Sua coroa não foi de ouro, mas de espinhos. Seu trono não foi uma poltrona confortável, mas foi a cruz. Deveriam ler 2 Coríntios 11 e verificar a vida de Paulo. Paulo foi preso, açoitado, fustigado com vara, passou fome, sede, nudez e naufrágios.

A essência do cristianismo é conhecer a Deus em intimidade. O nosso modelo não são os bilionários dessa terra, mas Jesus, o homem que não tinha duas mudas de roupa.

Ir. Marcos Pinheiro

quinta-feira, 27 de julho de 2017

CARTA ABERTA AO PASTOR JECER GOES

               CARTA ABERTA AO PASTOR JECER GOES

Confesso pastor Jecer, que fiquei estupefato ao ouvir o seu brado entufado: “Deus colocou no meu coração chamar vocês para trabalhar e tornar a nossa igreja a maior igreja desse Estado”. Você, pastor Jecer, comportou-se como criança que usando roupas novas, fica chamando a atenção dos adultos para as mesmas. Após o seu brado, você esperou aplausos. Lamentável!

Você leu uma carta de uma pessoa dizendo que você era “o profeta Moisés do século 21”. Em nenhum momento você passou para a cruz tal elogio. Isso mostra o quanto você é ávido por fama. O quanto você sonha ser grandão.

O seu ministério é numeroso. Sua igreja é espaçosa. As galerias são lotadas. Mas, a sua mensagem, pastor Jecer, vai além dos limites bíblicos. Você afirmou que “o jejum é abstinência de alimentos”; até aí tudo bem. Agora, dizer que “o jejum aflige a alma em prol de algo que a gente quer receber de Deus” é engano. O jejum não é uma espécie de “varinha mágica”, nem uma “moeda de troca” para barganhar com Deus favores pessoais. No momento que se diz: “Faço isto para obter aquilo” significa que o homem controla a bênção divina. Isso é um insulto a Deus. Isso é violar a soberania de Deus.

Mateus 6:17-18 não é uma descrição para nos ensinar como ganhar recompensa quando jejuamos ou que Deus recompensa o jejum pelo jejum em si. Não há nenhum pagamento nesses versículos. O Deus que servimos não é um Deus com quem se negocia – “As portas vem a mim ao invés de eu ir às portas”. Não é bem assim, pastor Jecer.

Nosso intento ao jejuarmos deve ser o de agradar a Deus, expressar o nosso desejo e a nossa fome pelo Senhor. Nunca devemos pensar que a recompensa que Deus nos dá é alguma coisa material. O jejum não é algo mágico para atender nossos caprichos. A recompensa que Deus tem em mente, antes de qualquer coisa, é Ele mesmo! A recompensa maior do jejum será um banquete eterno. O jejum envolve nos humilharmos diante de Deus. Envolve tristeza por nossos pecados, envolve deixarmos tudo o que desagrada a Deus. O jejum autêntico é aquele que inclui um ataque espiritual contra nossos pecados. O jejum deve visar a nossa santificação.

Em Mateus 9:14 e 15 Jesus relaciona o jejum com o nosso desejo de Sua volta. Portanto, pastor Jecer, O jejum deve está intimamente relacionado com o desejo que trazemos em nosso coração acerca da volta de Jesus. A finalidade do jejum é promover mudanças reais na pessoa que o pratica; mudanças no interior para que sejamos utensílio de honra. Nunca para receber coisas.

O jejum proclamado em sua igreja é de “meia noite às 12 h”. Você destacou que um irmão lhe disse: “Sou de certa idade, tenho problema de saúde e não posso jejuar”. Você aconselhou: “Jejue até 10 h, faça um sacrifício”. Pastor Jecer, Jejum não é sacrifício. Deleitar-se na presença de Deus nunca foi sacrifício. Jejum, pastor Jecer, não é demonstração de autocomiseração. Não podemos transformar a piedade em espetáculo.

A questão não é, jejue se você quer uma bênção, mas se você que santificação, jejue. Outro conceito que preciso salientar é que ninguém deve jejuar para perder peso. Isso não é jejum, é dieta. Não perca de vista a razão da plenitude do jejum.

Outra questão que você tem destacado é o “voto a Deus”. O voto é uma tentativa de barganha com Deus. A pessoa faz um voto assumindo o compromisso de dar algo para a obra de Deus: “Darei isso na esperança que Deus me conceda aquilo”. O voto sempre tem uma expectativa de retribuição. O ato do voto demonstra uma visão da relação com Deus como uma relação comercial. É uma relação ganha-ganha. O Deus patrão ganha e o crente consumidor ganha também.

A relação do homem com Deus depende exclusivamente do que Jesus fez no calvário. Tudo que merecemos é sem merecimento. É graça. E, não adianta justificar a prática do voto citando Ana, Jacó e Jefté. Nosso padrão não são os judeus, pastor Jecer, mas a Nova Aliança. Não queira judaizar o cristianismo. Não adianta citar que Paulo fez voto (Atos18:18, Atos 21:23-27). Paulo fez essa concessão orientada pelos anciãos judaicos porque ele estava sendo considerado uma persona-não grata devido sua mensagem da salvação sem os costumes da Lei. Paulo concedeu a prática do voto a fim de ganhar os judeus. Ademais, o rito do voto não tinha o sentido de troca com Deus. Na prática “Voto a Deus” é a judaização do Evangelho. É a catolização do crente.

É o que tenho a dizer,
Ir. Marcos Pinheiro

sexta-feira, 21 de julho de 2017

ORAÇÕES ESPALHAFATOSAS: ESCARCÉU NA MÍDIA



    ORAÇÕES ESPALHAFATOSAS: ESCARCÉU NA MÍDIA

Orações teatrais, antropocêntricas, espalhafatosas e com tintura bíblica são comuns no meio evangélico brasileiro. Muitos pastores perderam o entendimento de quem é Deus. Na pirotecnia “espiritual” os gurus da prosperidade vivem fazendo orações de “determinação” do tipo “Eu declaro”. Torcem a bel-prazer o significado de Mateus 18:18: “Tudo o que ligardes na terra terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus” para satisfazer seu gosto peculiar desprovido de hermenêutica correta.

O centro do ensino de todo o capítulo 18 de Mateus é sobre instruções como lidar com o pecado na assembleia dos salvos. Quando é dito “dois dentre vós concordarem” (v19) refere-se a como lidar com um membro da igreja que pecou. Nunca se refere a orações para expulsar demônios, curar enfermos ou declarar prosperidade material. Jesus não está ensinando como se obter respostas a orações.

Jesus ressalta que se um membro que pecou não deseja se arrepender após uma confrontação em particular, após uma segunda acareação na presença de uma ou duas testemunhas e após uma repreensão frente a frente com a comunidade inteira deverá ser tratado como gentio e publicano (Mt 18:17). Nesse contexto, “ligar” e “desligar” tem a conotação de que a igreja tem autoridade para exercer a disciplina.

A igreja deve fazer na terra aquilo que Deus já determinou no céu. O homem não determina nada, não decreta nada, não declara nada. A igreja só permite (liga) o que já foi permitido (ligado) por Deus, e só proíbe (desliga) o que já foi proibido por Deus. Quando alguém que já faz parte do Reino de Deus faz algo que foi proibido (desligado) por Deus, a igreja precisa tomar uma atitude disciplinar em relação a este remido caso ele não se arrependa. Quando há arrependimento, por parte do remido, a igreja o permite, o liga.

Os gurus da prosperidade buscam pirotecnia porque é mais fácil fazer uma “oração poderosa” aos gritos decretando vitória do que dobrar os joelhos em busca de santidade e estudar a Bíblia para ter coerência teológica. Nesse enfoque, o poder não está em Deus está na “oração forte” do guru. O foco é o agir do homem. O homem produz o agir de Deus.

A ideia de atribuir poderes mágicos de “ligar” e “desligar” é produto do orientalismo que invadiu a igreja com o movimento Nova Era. “Ligar” e “desligar” no sentido que os gurus da prosperidade dão em Mateus 18:18 nada mais é que  o velho paganismo.

Orações pomposas eivadas de pirotecnia estão produzindo uma geração de crentes que não encaram o caminho estreito, nem a renúncia, nem a mortificação diária do eu, mas buscam artificialidades.

Os gurus da prosperidade são especialistas em fazer escarcéu na mídia. São indigentes mentais. Fujamos deles!

Ir. Marcos Pinheiro